domingo, 20 de agosto de 2017

Se ouvirem falar que o sonho acabou
Acorde!
Aproxima-se o fim da vida.

Efêmera sou

Eu sou um vazio
em busca do tudo
que nada sou
Minha travessia
segui
atravessando outras histórias
vivo em busca
de tudo
que me faça movimentar
O que me move?
Algo partiu
Acho que fui embora de mim
Ando a me procurar...
buscando meus retalhos
Aonde será que estou?
É possível se perder dentro de si?
Que dores atravessam
minha travessia?
Tudo que passa é efêmero?
ou, posso me eternizar
em algum olhar?
Vida e seus paradoxos
Uma certeza
Sou borbada de dúvidas
compreendi.
Eu sou breve
Saudade de mim... efêmera!
C  O  R  P  O

o que é o corpo?
o que o corpo carrega?
corpo violado
corpo censurado
corpo sexualizado
corpo...
o corpo é lar
leva consigo
marcas
dores
sabores
cheiro...
Cheio de retalhos
de histórias
risos e choros
O corpo que se movimenta,
que visita outros
c o r p o s
ocupam espaços
atravessam outras
travessias


O corpo é mesmo submisso à alma?
Rendo-me
O corpo é efêmero
Parte
A alma não!
Ela ecoa na imensidão
transcende, acredito
Afinal,
sempre carreguei no peito
o universo que sou.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Eu nasci mulher
Ou me fizeram mulher?
Disseram pra minha mae
É menina
Menina usa rosa
Brinca de casinha....
Fecha essa perna!
Larga essa bola
 é coisa de menino
Mãe me dá esse carrinho?
Onde ja se viu?!
Você é uma mocinha
Arruma esse cabelo
Larga essa pipa
Coloca uma blusa
Parece um moleque
Vai brincar com as meninas
CHOREI
Cresci...
Psiu
Psiu
Heinn?!!!
Que mulherao
Ô la em casa
Gostosa
Delícia
CHOREI...
Sabe cozinhar?!
Já pode casar
Cade os namoradinhos?
Quer ter quantos filhos?
CHOREI...
Nasci com vontade
Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer
Eu dizia: Quero voar
Tenho sede do mundo
Minha casa
Faço a cada lugar que
Me deixo
Que estou
Você me ver?
Você me ver?
O que eu sou?
Sabe o que é ser?
Eu sou humana
Eu sou humana
Eu sou humana
Mas me fizeram mulher.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O amor é azulzinho

É de manhã,
com meus olhos entre abertos
Lhe vejo...
Teus olhos 
sorriem para mim
Pronto,
amanha(céu)
dentro de mim!
Com você,
Ando meio desligada,
ligada à ti...
Que mal consigo
me desvencilhar 
dos teus infinitos
Me reviro toda
Teu toque
está para além
de minha pele
Você toca minh'alma, menino
Marca teus instantes
eternos em mim
Em teu peito
encontro meu aconchego,  
esconderijo.
Em meio ao caos
vivemos 
Uma trégua
com nosso amor
Que é
Gostoso demais!
Tu é visceral,
gera um rebuliço
dos grandes
Quando nossos braços
se encontram e
nosso abraço se faz
Não há lugar que eu
não queira estar
Se não, ali
Voando junto de ti.

sábado, 11 de junho de 2016

Entardecer:

Não tarda
em meu
Ser
A angústia
faz carnavalia
Esses sentires...
Que nada são
Mas que em tudo
me apetecem tanto
Quanto aos meus 
Infinitos
Se tudo sinto
Nessa imensidade
me perco
Ser intensa
Inteira
Ser
Não me leve à mal
Mas até nos vazios
Transbordo. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Somos raízes

Somos milhares
Mulheres
Nao venha me dizer que nossa luta é banal
Se todos os dias
Tem uma de nós no jornal
Uma foi, todas vão...
Morremos
Mas juntas renascemos
Nossa luta é árdua
Sangramos todos os dias
Com a repressão,desrespeito descarado, desamor
Somos o amor
O amor materializado
Vaso frágil?
Jamais.
Somos potência
Geramos vida
Doamos nosso corpo
para que uma nova alma chegue à terra
Nossa força
É visceral
Parte do âmago
Até nosso silencio tem som
e ecoa.
Nosso pranto
Está cravado para além da pele
Nossa poesia
transborda pelos olhos
Temos uma fera embutida na  vagina
Somos instintos
Continuidade
Reticências
Resistência!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Solitude.

Queria que minha voz tivesse 
formato de canto
Para compor meus silêncios
em palavras
Apenas o vazio me tem por completa
A minha liberdade vive presa
dentro de mim
Os paradoxos correm em minhas veias
Procuro a beleza,
mesmo nos dias que tudo
leva-me a crer que ela não exista
O desapercebido
me cativa
Meu tempo é agora
O que passou inexorável
minha calma tem pressa
A cada queda
Renuncio!
Faço saudades todos os dias
Às vezes sou primavera
Outras,
 tempos de desertos
Transbordo nos olhos
toda minha historia
A parte doce
É transformar
 P(r)o(bl)emas

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Alado


Com flores na alma e no corpo
Floresci em meio ao asfalto
Ao mar de críticas não mergulhei
Meio fauna, meio flora
Fechar
Abrir
Trancar
Escancarar
É sempre MINHA
a decisão!
Nem "Psiu"
Nem "Oh lá em casa"
Meu corpo
é meu templo,
minha casa...
Não é objeto,
nem  perdição
E fica só ao
MEU critério 
permitir ou não,
você penetrar
em meus mistérios...
Decifra-me? Não!
Quero ver se você é capaz
de me fazer gozar pela alma.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"Felicidade tem fim. Tristeza não."

É de manhã, entre bocejos avisto uma fresta de luz que passa pela janela entre aberta do meu quarto, deduzo que o dia está nublado. Acerto. Meus devaneios se faz presente, já não tenho mais o controle. Lá fora chove, mas a tempestade se faz dentro de mim. Me ponho a pensar... 
Hoje poderia ser mais um daqueles dias que ficar debaixo das cobertas, acompanhado de um bom filme, comendo brigadeiro de panela enquanto você me pedia com jeitinho que eu virasse de lado para ficar de conchinha, dizendo ao pé do meu ouvido que era ali o meu lugar e entre um sorriso para você eu pensava: Aqui é o meu lugar! Depois decidiríamos o que fazer para comer, talvez algo que envolvesse queijo e batata rs. Sempre era batata e queijo. Eu começava a fazer e você se propunha a me ajudar, cortando o que fosse necessário e derrubaria, com certeza. Afinal, até hoje não conheço um casal tão estabanado como fomos nós (risos). Enquanto eu mexia a panela no fogo, você vinha por trás e me abraçava, fazendo com que cada parte do meu corpo se encaixasse no seu. Me chamava de minha linda, minha gostosa e dizia que me amava. Você fazia a mesa e comíamos feito uma família e não tinha como não imaginar a nossa daqui uns anos.  Depois falávamos de coisas aleatórias, deitávamos, nos amávamos, dormiríamos até chegar a hora de dizer tchau e eu pedi com manha para você ficar mais um pouquinho. Depois fazer você me prometer que no outro dia estaria cedinho em casa, mesmo sabendo que não estaria. Você ia, mas o seu cheiro ficava intacto e eu já desejava  que amanhecesse logo para  viver novamente cada segundo com você. 
Hoje poderia ser um daqueles dias, aqueles... Aqueles que você vem e aquece o meu coração, o meu ser e os nossos corpos. Poderia, iria, foi.... a vida passou e levou você! Abortamos os filhos nem ao menos gerados, destruímos a casa que nem ao menos construímos.  Afinal,  infelizmente com nós sempre existiu fins. Entre chegadas e partidas, um dia você partiu e nunca mais voltou. Hoje meu coração está partido pela sua partida.

sábado, 20 de junho de 2015

Reverberar o amor

Vida efêmera
líquida
escorre
voa no seu próprio tempo
Nessa travessia
solidão
me faz companhia
Transgredindo
meus quereres
Nos meus sonhos
tudo é POESÍVEL
Junto à
ânsia de viver
e a estagnação
pairada em meu ser
Paradoxal!
Inundei-me
no sentir
e hoje,
a intensidade
faz folia
em meu âmago
Nessa minha passagem
vou indo
deixando rastros
Transbordando
em meus retalhos
Desejo
flori
imensidão
fora da
estação
Ter o  meu espírito
livre
para o amor
frutificar
em terra fértil
Porque bonito mesmo
é ser florido por dentro.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Vontades




 Tenho fome de gente!
 Gente que tem vontade 
 que se permite 
 Gente que é o avesso 
 do avesso 
 Que se enxerga 
 No outro 
 e no outro
 Tenho fome de gente!
 Gente humana 
 Que me deixa em brasa 
 Que me provoca caos
 me confronta, me conforta 
 e não tenha medo 
 de olhar dentro do  
 do fundo dos meus olhos
 Tenho sede!
 Sede de gente 
 que povoa minha existência 
 e me deixa em transe 
 Que dissipa a lógica
 Não se acomoda 
 com o cômodo  
 Que me rompe
 me transcende
 Que externa os sentires 
 Ao ver as cores se esvaindo  
 Bebe a claridade 
 E partilha dela
 Tenho fome
 Tenho sede
 De gente
 Que coma e beba comigo 
 Essa ânsia de viver.

  

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Inefável

 Para Cintia Adorro.


Olhos cor de infinito 
Tens a imensidão dentro de ti 
Afetuoso é o que temos 
Juntas  compartilhamos 
da mesma alegria
Bebemos da mesma poesia 
Partilhamos nossas angústias 
O peso dá lugar a leveza 
A leveza que carrega em seu sorriso 
Junto ao seu olhar sereno e intenso 
Estar com você é ter uma trégua 
Diante de nossas guerras internas 
Nosso amor é nossa fonte 
Nossa amizade inefável 
Tens de mim todo amor.




terça-feira, 14 de abril de 2015

Autonomia


Me fiz de ti 
Esqueci de mim 
Me doei 
Doeu! 
Finquei o nós 
em meu peito 
Partiu-me 
partindo 
Do nós 
restou o nó 
nó que fere 
que dilacera 
deixando- me em pedaços 
destroços espalhados 
Arrumei a bagunça 
a bagunça que deixou 
em meu coração 
Me refiz 
criei meu próprio alicerce 
Hoje 
para eu ser de alguém 
preciso ser 
primeiro 
minha.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Amor ter sido



Amortecido está 
o amor 
Que fez um dia 
Tudo pulsar 
Fever 
Transcender
O tempo passa
só não passa esse amor
Que me impregnou 
Não importa o que eu faça 
Ele ainda está    
Aqui    
Guardado       
Em um cantinho 
      Inrraizado!        
Dentro da imensidão do meu ser
Esperando para se proliferar 
Novamente 
Desejo me infectar desse amor 
Que me derrama.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sintomas de saudade

Você não precisa saber
que é por ti
que meu corpo clama

No frio da madrugada
é seu calor que eu preciso
E do seu afago que sinto falta

Você não precisa saber
que é teu corpo sobre o meu
que mais venero

Seu sussurro ao pé do meu ouvido
dizendo coisas que vão do
romantismo a censura

Me comendo
com aquele olhar
que estremece minhas vísceras

Você não precisa saber
Que o seu amor
ainda está aqui
intacto

Esperando que
em um dia qualquer
você decida  voltar...

Voltar para me amar
novamente

Você não precisa saber...
Mas eu sei que sabe!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Axé

Que a leveza reverbere aqui dentro, para  que eu possa ser mais generosa e tenha  menos medo de seguir meu coração. Que meu espírito seja livre para o amor poder frutificar em terra fértil.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Findou

Quanto tempo faz
que não te vejo,
Não sinto teu calor?

Quanto tempo faz
que suas retinas
não fotografam minh'alma?

O tempo passou e
ainda tem você
por cada parte

Desde que se foi
tenho tido a solidão
como mantra

O caos aqui permanece
e eu... eu aprendi
a conviver com sua ausência

A carne lateja
meu âmago clama
e eu ignoro tanto querer

Pois este,
não foi o bastante
para te manter aqui

Dói!
Ah...
Como dói!

Prefiro acreditar
que a vida segue
E que siga logo!

Pois é difícil
ser imensa
sozinha.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Senti - dor

Entre goles de cerveja a prosa rendeu... Poesia!


- Conseguiu sentir agora?
- Não consigo sentir nada
- Deve estar quebrado então
- O coração?
- Alguns chamam assim... Eu chamo de sentidor.




(Por Belchior Emídio e Andreza Dias)